O mercado imobiliário de Goiânia terminou 2025 em um patamar muito diferente daquele de dez anos antes. Na série histórica atual do Índice FipeZAP, o preço médio anunciado de venda residencial passou de aproximadamente R$ 4.212 por metro quadrado, em dezembro de 2015, para R$ 8.095 por metro quadrado, em dezembro de 2025.

A alta nominal acumulada foi de 92,2%. No mesmo intervalo, o IPCA composto de 2016 a 2025 ficou perto de 64,8%. Ajustada por essa inflação nacional, a valorização real estimada foi de 16,6%. Portanto, o imóvel médio anunciado subiu mais que o custo de vida, mas a diferença é bem menor do que o número nominal isolado sugere.

Gráfico do preço médio anunciado de venda residencial em Goiânia entre 2015 e 2025
Preço médio anunciado em dezembro de cada ano. Fonte: série histórica do Índice FipeZAP, baixada em 21/09/2026.

Os números da década

AnoPreço médio de vendaVariação no ano
2015R$ 4.212/m²+2,8%
2016R$ 4.099/m²-2,7%
2017R$ 4.144/m²+1,1%
2018R$ 4.248/m²+2,5%
2019R$ 4.279/m²+0,7%
2020R$ 4.484/m²+4,8%
2021R$ 5.099/m²+13,7%
2022R$ 6.165/m²+20,9%
2023R$ 7.080/m²+14,8%
2024R$ 7.893/m²+11,5%
2025R$ 8.095/m²+2,6%

O FipeZAP acompanha preços anunciados de apartamentos prontos nos portais do Grupo OLX. Ele não mede diretamente o valor efetivamente fechado em cartório, nem representa sozinho imóveis novos, casas ou todos os bairros. Ainda assim, a metodologia consistente ajuda a enxergar a direção do mercado.

2015 a 2019: estabilidade nominal e perda para a inflação

Nos cinco primeiros anos da janela, o preço anunciado ficou praticamente lateral. Entre dezembro de 2015 e dezembro de 2019, passou de cerca de R$ 4.212 para R$ 4.279 por metro quadrado, avanço nominal de apenas 1,6%. Como a inflação acumulada foi maior, houve perda real nesse trecho.

Esse período mostra por que imóvel não se valoriza de forma automática em qualquer intervalo. Localização, produto, conservação e momento de compra continuam decisivos.

2020 a 2024: a mudança de patamar

A curva começou a ganhar inclinação em 2020 e acelerou nos anos seguintes. As altas anuais foram de 13,7% em 2021, 20,9% em 2022, 14,8% em 2023 e 11,5% em 2024. Entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024, o preço médio anunciado avançou aproximadamente 84%.

Os dados permitem confirmar a aceleração, mas não atribuir todo o movimento a uma única causa. Crescimento populacional, renda, crédito, custo de construção, escassez de terrenos em áreas consolidadas e mudança no tipo de unidade ofertada podem atuar ao mesmo tempo.

População, oferta e demanda

O Censo 2022 registrou 1.437.366 habitantes em Goiânia, ante 1.301.892 no Censo 2010. A expansão foi de cerca de 10,4%. Ao redor da capital, municípios da região metropolitana também cresceram, ampliando deslocamentos, serviços e demanda habitacional.

A Ademi-GO informou que 2024 foi o maior ano de sua série histórica iniciada em 2010, com aproximadamente R$ 7,7 bilhões em vendas residenciais na capital. No primeiro semestre de 2025, a entidade registrou R$ 4,1 bilhões em vendas totais e estoque residencial próximo de 10,5 mil unidades.

Os números da associação medem imóveis comercializados no mercado acompanhado por ela e não são diretamente comparáveis ao FipeZAP, que usa anúncios de apartamentos prontos. As duas fontes, porém, apontam aquecimento recente por ângulos diferentes.

O aluguel subiu mais do que a venda na série disponível

A série de locação de Goiânia começa depois da série de venda. Entre dezembro de 2016 e dezembro de 2025, o aluguel anunciado passou de aproximadamente R$ 16,48 para R$ 41,06 por metro quadrado, aumento nominal de 149,2%.

Em dezembro de 2025, o rental yield calculado pelo FipeZAP estava perto de 0,50% ao mês, equivalente a aproximadamente 6% ao ano em uma multiplicação simples. Esse indicador é bruto: não desconta vacância, condomínio, IPTU, manutenção, administração, mobiliário ou tributos.

Compactos e locação flexível ganharam espaço

O crescimento de studios e apartamentos compactos conecta o mercado de compra ao de renda. Segundo levantamento da Ademi-GO com a Brain, unidades de até 75 m² representaram 73% das vendas de Goiânia e Aparecida de Goiânia no terceiro trimestre de 2025.

Parte desses imóveis atende moradia convencional. Outra parcela é pensada para locação mobiliada, estadias flexíveis ou curta temporada. Essa transição abriu espaço para canais digitais de reserva e para operadores profissionais que cuidam de precificação, distribuição, limpeza e atendimento.

O retrato mais recente

Em agosto de 2026, último mês disponível na planilha consultada, o preço médio anunciado de venda estava em cerca de R$ 8.482 por metro quadrado, alta de 7,2% em 12 meses. O aluguel médio estava em R$ 43,36 por metro quadrado, com alta de 2,4% em 12 meses.

O dado de 2026 é parcial e não deve ser comparado como se fosse um ano fechado. Ele indica continuidade da valorização de venda, mas também uma desaceleração recente do aluguel em relação aos anos de 2022 a 2024.

O que a década ensina

Goiânia não viveu uma linha reta de valorização. A década teve uma fase inicial de estabilidade, uma aceleração intensa e um período mais recente de normalização. Para o comprador, isso reforça a necessidade de separar valorização da cidade, desempenho do bairro e qualidade do imóvel específico.

Para quem busca renda, o avanço do aluguel e da locação flexível é positivo, mas o resultado líquido depende de ocupação, diária, custos e regras do empreendimento. O próximo ciclo do mercado deve ser lido com dados, e não apenas com a valorização passada.

Fontes e metodologia

Conteúdo pesquisado e comparado pela Redação OSMR em 21 de setembro de 2026. Indicadores obtidos em serviços digitais e bases de mercado são estimativas e podem mudar; fontes empresariais são identificadas como tais.