Studios e apartamentos compactos deixaram de ser um produto periférico no mercado de Goiânia. No terceiro trimestre de 2025, unidades de até 75 m² responderam por 73% das vendas de Goiânia e Aparecida de Goiânia no levantamento da Ademi-GO em parceria com a Brain Inteligência Estratégica.
O percentual reúne tipologias diferentes e não significa que sete em cada dez compradores buscavam locação por temporada. Parte da demanda vem de pessoas que querem morar perto do trabalho, de serviços e de áreas de lazer. Outra parte procura um imóvel de entrada ou um ativo para locação.
O que mudou na demanda
Famílias menores, profissionais em mobilidade, estudantes, pacientes em tratamento e viajantes de negócios ajudam a diversificar a procura por unidades prontas para uso. A demanda não se concentra somente em metragem: localização, acesso, segurança, internet, mobiliário e serviços do prédio ganham peso.
Em Goiânia, a oferta de compactos aparece com frequência em Setor Bueno, Setor Oeste, Jardim Goiás, Marista e eixos próximos a hospitais, shopping centers, parques e centros de negócios. Isso não transforma todo lançamento nessas regiões em bom investimento. O preço do terreno e o valor de lançamento podem reduzir a rentabilidade.
Compacto para morar e compacto para renda são produtos diferentes
Uma planta confortável para residência permanente não é necessariamente a mais eficiente para alta rotatividade. Para locação flexível, circulação simples, armazenamento, climatização, acústica, facilidade de limpeza e regras claras de acesso influenciam a experiência do hóspede e o custo operacional.
O investidor precisa saber qual público o imóvel atende. Um studio próximo a hospitais pode ter demanda diferente de uma unidade ao lado de um polo de eventos. A estratégia de diária, permanência mínima e mobiliário deve refletir esse uso.
O preço por metro quadrado pode ser maior
Unidades pequenas costumam diluir cozinha, banheiro, instalações e áreas comuns em menos metros quadrados privativos. Por isso, o preço por metro quadrado pode superar o de apartamentos maiores no mesmo bairro. O desembolso total menor não significa necessariamente que o metro quadrado esteja barato.
Compare unidades equivalentes, inclua vaga, mobiliário e custos de condomínio e verifique a área efetivamente privativa. Uma diferença pequena na planta pode alterar o público e o valor da diária.
O condomínio precisa ser compatível com a estratégia
Antes de comprar para curta temporada, leia a convenção, o regimento e as atas. Em maio de 2026, a Segunda Seção do STJ decidiu que a estadia de curta duração em condomínio residencial exige autorização compatível com a destinação do empreendimento. Em setembro de 2026, o tribunal afetou o Tema Repetitivo 1.443 para uniformizar a controvérsia e suspendeu processos sobre a suficiência da cláusula de destinação residencial.
Isso torna mais importante buscar empreendimentos cuja concepção, convenção e operação estejam alinhadas ao short stay. O nome comercial do prédio ou a promessa do corretor não substituem os documentos.
Como calcular antes de comprar
- Estime diária e ocupação com imóveis realmente comparáveis.
- Desconte a tarifa ou comissão do canal utilizado, além de administração, limpeza, enxoval e manutenção.
- Inclua condomínio, IPTU, seguro, energia, internet e reposições.
- Reserve períodos sem ocupação e gastos imprevistos.
- Compare o retorno líquido com uma locação residencial tradicional.
- Teste um cenário conservador, não apenas o mês de melhor demanda.
Onde entra a gestão profissional
O crescimento desse produto criou espaço para empresas especializadas em hospitalidade e locação flexível. A gestão profissional pode reunir fotografia, distribuição em canais, preço dinâmico, atendimento, limpeza, manutenção e prestação de contas.
Ao comparar gestoras, o proprietário deve solicitar contrato, histórico verificável, indicadores líquidos, política de manutenção, canais de distribuição e responsabilidades de cada parte. A decisão precisa considerar o serviço efetivamente entregue, sem depender de promessa de ocupação.
Compacto não é sinônimo de retorno automático
O avanço das vendas confirma relevância do segmento, não rentabilidade garantida. Um compacto bem localizado e operado pode atender uma demanda crescente. Um produto caro, com condomínio incompatível ou sem diferenciação pode disputar preço em um mercado com oferta cada vez maior.
Fontes e metodologia
Conteúdo pesquisado e comparado pela Redação OSMR em 21 de setembro de 2026. Indicadores obtidos em serviços digitais e bases de mercado são estimativas e podem mudar; fontes empresariais são identificadas como tais.
- Ademi-GO — apartamentos compactos no terceiro trimestre de 2025 — participação das unidades de até 75 m² nas vendas.
- STJ — decisão sobre estadia de curta duração em condomínio — entendimento da Segunda Seção em maio de 2026.
- STJ — Tema Repetitivo 1.443 — afetação e suspensão nacional dos processos em setembro de 2026.